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ÍNDIOS - Professores denunciam precariedade das escolas

RORAIMA


Boa Vista


A manhã desta segunda-feira, 08, terceiro dia da 39ª Assembleia dos Povos Indígenas de Roraima, realizada desde sábado na Comunidade do Araçá, na região do Amajari, foi dedicada ao debate sobre a educação indígena. Centenas de lideranças indígenas de todo o Estado participam do evento. Embora tenha havido avanços no acesso à educação superior, ensino da língua materna e formação profissional de jovens indígenas, a avaliação geral é de insatisfação com a qualidade de ensino oferecido nas comunidades.


Os relatos são inúmeros sobre a falta de estrutura dos prédios das escolas, falta de material didático, transporte escolar e da falta de compromisso de professores não indígenas. Representantes das Coordenações Regionais de Educação Indígena, da Divisão de Educação Indígena da Secretaria Estadual de Educação, expuseram os problemas enfrentados pelas comunidades.


Jaime Lima Araújo, coordenador regional do Centro de Educação da Região do Baixo Cotingo, em Normandia, denunciou que existem alunos levando carteira escolar para casa, depois das aulas, para que no dia seguinte não estudem em pé, pois faltam carteiras para a maioria das turmas.

“Falta material didático. Enquanto a Secretaria de Educação diz que tem que preparar professores para dar ensino de qualidade, isso fica difícil porque falta material. Na cidade existem alunos apresentando trabalho data-show, mas lá [em escolas indígenas] existem professores procurado quadro-negro para trabalhar em sala de aula.


Ele disse que a comunidade reivindica, mas as resposta é de que o governo está resolvendo, mas sem que os problemas sejam resolvidos ao longo dos anos. Não desistimos e estamos tentando parceria com lideranças e organizações. É um trabalho difícil e não vamos desanimar”, comentou conclamando as lideranças indígenas a elaborar um documento a ser entregue para a Secretaria de Educação pedindo resolução de todos os problemas.


O diretor do Centro Regional Indígena da Serra da Lua, Gerson Raposa Felipe, relatou que falta pessoal de apoio, como zeladores, além de transporte para equipe de apoio pedagógico e material permanente. Disse ainda que naquela região também falta carteira escola e citou que existem escolas com 450 alunos e apenas 40 carteiras escolares.


Ele fez uma denúncia grave sobre o Censo Escolar. Segundo afirmou, em 2009 vários alunos ficaram fora do censo, porque os técnicos da Secretaria de Educação não consideraram a sala de aula de professores voluntários, os quais tiveram o contrato temporário encerrado e decidiram permanecer voluntariamente para não deixar os estudantes sem aula.


Felipe ainda relatou as dificuldades que as comunidades enfrentam para que adolescentes e adultos estudem. Ele lembrou que uma portaria baixada pela secretária Ilma Xaud impede a criação de novas modalidades de ensino em área indígena até segunda ordem. Várias comunidades cobram implantação de Ensino Fundamental e de Educação de Jovens e Adultos (EJA).


Assim como em várias outras regiões, ele citou a falta professores em algumas disciplinas, principalmente de língua materna de 1ª a 4ª série. “Nosso desafio é o fortalecimento dos centros regionais, que é o elo da comunidade com a Secretaria de Educação. Precisamos ter uma proposta elaborada de fortalecimento e reconhecimento dos centros, principalmente com a garantia da língua materna onde há escola indígena com ensino diferenciado”, disse.


Representando a Coordenação Regional Indígena do Amajari, a professora Sandra da Silva cobrou também a implantação de modalidades de ensino e apontou problema na Comunidade de Aningal, onde o transporte escolar para o ensino médio está sendo feito de forma irregular.


- “É um caso sério o ensino médio na Vila Brasil, pois nossos filhos chegam lá duas ou três horas da tarde e estudam somente três horas, porque o transporte escolar não atende no horário certo. É uma falta de respeito com povo Sapará”, criticou.


Ela afirmou também que os pais estão exigindo a implantação do Ensino Médio na Comunidade do Ouro, mas já receberam resposta de que a implantação de qualquer modalidade está suspensa. A comunidade está decidida a implantar o ensino de qualquer forma, mesmo que estejam ameaçados de processo.


Ela reclamou ainda da inexistência de obras de reforma e ampliação nas escolas indígenas. “De 2008 a 2010 foi só uma escola reformada e uma em processo de construção. Em outra a reforma iniciou”, disse acrescentando que há problemas na construção da proposta pedagógica de várias escolas.


CONCURSADOS

Sandra da Silva também falou como representante da Organização dos Professores Indígenas (Opir), entidade da qual é tesoureira. Ela lembrou da mobilização que as lideranças indígenas fizeram contra o concurso público realizado pelo Estado, permitindo que as vagas fosse ocupadas por professores não índios.


Sandra disse que muitos dos professores não índio abandonaram a sala de aula, outros mudaram para outros municípios ou se transferiram para Boa Vista, deixando as escolas indígenas sem professor. “As comunidades os receberam bem, deram acolhida, mas não teve jeito. Avisamos que não ia dar certo e infelizmente a maioria deixou a desejar com relação isso”.


Ela disse que o pedido para cancelamento do concurso público ainda está nas mãos do Ministério Público e a organização espera um posicionamento daquele órgão para o final de março.

A secretária estadual de Educação, Ilma Xaud, foi convidada para participar da Assembleia dos Tuxauas, mas não compareceu nem enviou representante. Uma representante da Divisão de Educação Indígena esteve presente e disse que vai levar os questionamentos para a secretaria.

Por: Redação Ann Em: 09/03/2010 09:13:50
Fonte: ascom cir - texto e Foto: Jessé Souza
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